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Brigadista de Goiás é retratado em painel com cinzas de florestas em São Paulo

Vinicius Curva de Vento, da Brigada Voluntária de São Jorge, terá rosto estampado na lateral de prédio no centro da cidade

Um ano e oito meses depois de reproduzir uma obra de Tarsila do Amaral com a lama tóxica de Brumadinho, o artivista Mundano aplica a mesma técnica para denunciar a destruição dos grandes biomas brasileiros, que estão sendo literalmente reduzidos a cinzas. Desta vez, a matéria-prima das cores do novo painel são as cinzas das queimadas na Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, coletadas numa expedição de mais de 10 mil quilômetros pelos quatro biomas. O painel terá 1000 metros quadrados e ficará localizado na Rua Capitão Mor Jerônimo Leitão, 108, sendo que a melhor vista para a obra é a partir da passarela da Avenida Prestes Maia.

Cinzas, restos de árvores e animais carbonizados serão a matéria prima para a paleta de tons de cinza que será usada para recriar uma das mais icônicas obras de Cândido Portinari. Quando foi lançado, O Lavrador de Café, 1934, relacionava o momento histórico com o impacto da ação humana. Na releitura da obra modernista, proposta por Mundano, o Lavrador cede seu lugar a um brigadista – projetado a partir de um personagem real, Vinicius Curva de Vento, da Brigada Voluntária de São Jorge, que recentemente combateu as queimadas da Chapada dos Veadeiros. “Nos tornamos instrumento de utilidade para a natureza, o que não tem preço. É muito melhor ser brigadista voluntário do que ficar só olhando o fogo queimar”, afirma Vinicius. A obra, portanto, dará visibilidade àqueles que atuam diretamente para a manutenção das florestas e demais ambientes naturais, e que trabalham incansavelmente, muitas vezes com equipamentos limitados e sem reconhecimento.

Nas mãos de Mundano, vida e arte se misturam numa interrogação: até quando os crimes ambientais servirão como base para sua arte? “Resíduos de crimes ambientais infelizmente são matéria prima abundante pelo Brasil. Testemunhar as queimadas foi essencial na pesquisa com as cinzas que se transformarão em uma denúncia desse tempo de destruição ambiental”, ressalta o artivista. A técnica visa chamar a atenção para a destruição ambiental em curso no Brasil, especialmente das queimadas. Em 2020, Amazônia e Pantanal bateram recordes históricos de queimadas. Com a pior seca em mais de 90 anos no Brasil, os focos de queimadas em 2021 têm sido bastante elevados, especialmente no Cerrado e sul da Amazônia.

A matéria prima para as tintas foi coletada entre junho e julho de 2021, em uma expedição que percorreu as cidades de Poconé (bioma Pantanal, Mato Grosso), Colíder (bioma Amazônia, Mato Grosso divisa com Pará), São Jorge na Chapada dos Veadeiros (bioma Cerrado), Alto Paraíso de Goiás (bioma Cerrado) e Amparo (São Paulo, bioma Mata Atlântica). Foram três semanas conhecendo brigadistas, coletando carvão e cinzas, histórias e inspirações da natureza.

João Cândido, filho do Cândido Portinari, reconhece que é um momento bem-vindo de recordação e reinterpretação dos ânimos das artes que são elementos que transformam a sociedade. “Ele está fazendo essa releitura com um tom dramaticamente social, pois está fazendo com as cinzas da floresta e vai homenagear os brigadistas. Isso tem tudo a ver com a mensagem do meu pai, com a obra dele. Fiquei muito feliz e emocionado em saber deste trabalho”

painel ficará na Avenida Prestes Maia, em frente ao início da rua 25 de Março, e deverá ser concluído neste mês de outubro de 2021, às vésperas das comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna.

Esta iniciativa faz parte de um projeto multimídia de arte e meio ambiente que usa o artivismo como ferramenta de denúncia de crimes e sensibilização para a causa ambiental. A expedição, o painel e todos os esforços de apoio aos brigadistas estarão registrados no minidocumentário Cinzas da Floresta, com direção de André D’Elia, que será lançado no fim de 2021.

“O projeto Cinzas da Floresta representa a diversidade de esforços da sociedade em agir concretamente diante de tantos retrocessos socioambientais que vivemos, e busca oferecer apoio às pessoas que protagonizam a luta pela natureza em seu dia a dia”, afirma Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada do WWF-Brasil.

Queimadas em Goiás

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelou que Goiás tem 4.954 focos de incêndio detectados pelo satélite entre 1º de janeiro até 22 de setembro. Em comparação com o mesmo intervalo de tempo dos últimos 23 anos, o estado registrou o sétimo pior ano de queimadas. O registro de focos em Goiás, neste período, ficou acima da média nacional (4.863).
O público pode apoiar diretamente as Brigadas Voluntárias que o artivista Mundano conheceu pessoalmente nessa expedição. Elas estão em combate constante às queimadas e para continuarem esse trabalho heróico precisam de recursos para equipamentos, logística e alimentação.

DOAÇÕES

??‍?Brigada São Jorge @brigadasaojorge
PIX CNPJ: 07208243006169

??‍? BRIVAC – Brigada Voluntária Ambiental de Cavalcante
PIX CNPJ: 05154283000140

??‍?Colinas do Sul @bvrs
PIX CPF: 14580355814 – (Gisele Catarino)

??‍? Rede contra o Fogo @redecontrafogo
PIX CNPJ: 29216266000158

Vídeo teaser Cinzas da Floresta

1. Vídeo teaser para download com legenda em português
https://vimeo.com/613152413
senha 12345

2. Vídeo teaser para download com legenda em inglês
https://vimeo.com/cinedelia/download/613172712/e769b228cd
senha 12345

PARCEIROS
WWF-Brasil, Greenpeace, Be The Eart, Bem Te Vi Diversidade,

APOIO
IPAM, Fundação Mais Cerrado, Sos Pantanal, ISA, Sinal de Fumaça, Clima Info, Sos Mata Atlântica, Masp, Fundação Portinari, Museu Portinari, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

BRIGADAS

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