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Mecânica de máquinas pesadas atrai jovens

Empresas reclamam de falta de mão de obra e investem em capacitação

No passado, os jovens sonhavam em deixar o campo para buscar melhores oportunidades na cidade. Agora a tendência se inverteu e o agronegócio atrai até mesmo aqueles que não têm origem rural.  De acordo com uma pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, a empregabilidade no setor aumentou em 2022, com cerca de 19,07 milhões de pessoas trabalhando no terceiro trimestre do ano.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Goiás lidera a geração de empregos no agronegócio na região Centro-Oeste e ocupa a terceira posição no ranking nacional. Em fevereiro de 2023, o estado registrou um resultado expressivo na criação de postos de trabalho com carteira assinada no agronegócio, com um saldo positivo de 2.107 vagas. Mesmo com essas milhares de oportunidades surgindo, ainda há vagas disponíveis e falta de mão de obra qualificada no setor agropecuário.

 Durante o treinamento em mecânica, que dura um ano, o aluno tem salário e carteira assinada. Crédito: Divulgação.
Durante o treinamento em mecânica, que dura um ano, o aluno tem salário e carteira assinada. Crédito: Divulgação.

Para enfrentar esse problema, uma empresa de Goiás lançou um programa que já formou cerca de 100 profissionais. Desde 2020, a empresa promove o programa Pivot Training, que recruta jovens acima de 18 anos e oferece um curso técnico em manutenção agrícola. Os participantes do programa são contratados com carteira assinada e recebem um salário mínimo durante a duração de um ano.

“Desde o início do programa, mais de 100 jovens foram contratados como trainees. A grande maioria dos que concluíram o treinamento foram encaminhados para uma das 12 lojas da Pivot, localizadas em Goiás, Minas Gerais e Bahia”, informa Polyana Borges de Carvalho, analista de recrutamento e seleção do grupo. Ela explica que não é necessário ter experiência para participar do programa, apenas ter mais de 18 anos, ter concluído o Ensino Médio, ter vontade de aprender uma nova profissão e morar próximo às cidades onde a Pivot possui lojas.

Diante de um agronegócio cada vez mais dinâmico e tecnológico, Polyana destaca que o programa foi a melhor solução encontrada pela empresa para suprir a demanda por mão de obra qualificada. Ela detalha que com a expansão global do agronegócio e o uso de ferramentas como drones e maquinários automatizados, que empregam inteligência artificial, é cada vez mais necessário ter qualificação profissional

Bom exemplos 

Marcos Eduardo Moura Justino, técnico em manutenção de equipamentos agrícolas, foi membro da primeira turma em 2020. Atualmente, ele trabalha em uma das lojas da empresa Goiânia.

Ele destaca que o programa de capacitação foi fundamental para o seu desenvolvimento profissional. “Esse treinamento me ajudou de todas as formas possíveis. A base teórica que adquiri durante o programa me preparou para atuar com sucesso na minha posição atual”, revela Marcos.

Victor Hugo é um do novos e promissores talentos descobertos pelo programa/ Acervo pessoal 
Legenda: Victor Hugo é um do novos e promissores talentos descobertos pelo programa/ Acervo pessoal

Victor Hugo da Silva Ferreira, técnico mecânico, faz parte da segunda turma. Ele conta que  sempre teve interesse em mecânica, mas que não havia tido a oportunidade de trabalhar na área. 

Ele recorda que na adolescência trabalhou em uma oficina que fazia reforma de bancos de carros, mas não era o que eu realmente queria. Foi aí que ele decidiu ingressar na área de eletricidade automotiva e fez um curso técnico de eletricista no Senai. 

Lá, conheceu um professor que, anos depois, o indicou para trabalhar com mecânica agrícola. Victor foi capacitado e revela que teve melhores oportunidades de emprego e melhores remunerações nesse campo. Hoje ele  trabalha na loja do grupo em Nova Crixás.

Mecânica também atrai mulheres

Primeira turma de mecânica da Brasil tem uma mulher
Primeira turma de mecânica da Brasil tem uma mulher

De olho na movimentação financeira do mercado e na alta de profissionais, uma das principais distribuidoras de máquinas para construção, mineração, indústria, agronegócio, levantamento e movimentação de materiais, peças de reposição e assistência técnica no Brasil, inaugurou um Centro de Treinamento Técnico (CTT) em Goiânia para formar jovens mecânicos.  A unidade, aberta no final de abril,  recebeu investimento de R$ 850 mil.

A primeira turma do Centro de Treinamento Técnico (CTT), em Goiânia, tem uma mulher entre os alunos. Ela será a terceira mulher a se formar no programa. As outras duas se formaram em Jundiaí (SP) e Belo Horizonte (MG), onde também há unidades de treinamento.

Ana Júlia Barros da Costa, de 17 anos,  conta que desenvolveu interesse por máquinas de grande porte há alguns anos e já trabalhou na área de gestão de frota. Ela foi um dos 15 candidatos selecionados  entre os 91 inscritos no processo seletivo.

O programa de formação profissional da Brasif Máquinas oferece três meses de aulas teóricas, abrangendo tópicos como geometria, matemática, mecânica, hidráulica e informática, além de palestras sobre cidadania e atividades práticas nas oficinas da empresa. Além de adquirirem uma nova profissão, os jovens de 18 a 20 anos são contratados no primeiro dia e desfrutam de benefícios como assistência médica e odontológica, seguro de vida, entre outros.

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Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

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