”Temos quatro escolas militares em Aparecida e está em estudo a implantação de mais uma”, afirma Tenente-coronel Quéren Hapuque
Comandante de ensino dos Colégios Militares da Polícia Militar de Goiás, fala sobre a possibilidade de criação de um novo CEPMG no município, Bolsa Uniforme e ainda sobre outros temas importantes
Tenente-coronel da PM Quéren Hapuque de Leles é a atual comandante de ensino da Polícia Militar do Estado de Goiás. Desde julho de 2024, ela responde pelos Colégios Estaduais da Polícia Militar de Goiás (CEPMGs), que fazem parte da rede estadual de educação. Sob sua liderança, o Comando de Ensino tem se destacado pela implementação de medidas rigorosas para garantir a integridade e a qualidade dos programas educacionais.
Nesta entrevista, Quéren comenta sobre esse modelo de ensino, responsável por formar estudantes que se destacam todos os anos no Enem e nos vestibulares dentro e fora do estado. Esses bons resultados comprovam a excelência na qualidade do ensino ofertado.
Quais os diferenciais das escolas militares?
Temos formação com base em civismo e cidadania. Então, é uma formação tradicional, que oferece a segurança que muitos pais procuram, além da questão da disciplina. A escola tem regras claras, um regulamento que é estudado pelos alunos e que serve de base para todas as nossas diretrizes e decisões.
Promovemos a construção desse aluno, garantindo que ele receba toda a atenção necessária. Essa formação cidadã, aliada à disciplina, nos ajuda a nortear todo o ambiente escolar. Essa soma de esforços fortalece o projeto, que já está bem consolidado. Os resultados comprovam isso. Temos grande aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e nos vestibulares, o que nos mostra que estamos no caminho certo.
Como é o envolvimento da família na formação do aluno?
Sempre chamamos os pais para dentro da escola. Quando o aluno está dormindo em sala de aula ou apresenta qualquer outro problema que possa afetar seu rendimento, buscamos a família. No colégio militar, tudo é pedagógico: o disciplinar, a sala de aula, as atividades e os projetos.
Se algo está atrapalhando o aprendizado dos alunos, seja na parte disciplinar ou pedagógica, chamamos os pais para que possamos atuar juntos no nivelamento escolar.
Quantas escolas militares existem hoje no estado?
Hoje atendemos o ensino fundamental II, do 6º ao 9º ano, e todo o ensino médio. Atualmente, temos 82 escolas militares em Goiás.
Acreditamos na pluralidade da educação. A rede pública deve oferecer diferentes modalidades de ensino: integral, militar e regular. Assim, os alunos podem escolher o modelo que mais se adequa ao seu perfil.
Mesmo filhos de militares, às vezes, não querem estudar em colégios militares porque não se identificam com o fardamento ou o corte de cabelo. Por isso, devemos garantir essa diversidade de opções. O colégio militar deve ser uma escolha, não uma obrigação.
Quem está em um colégio militar, na maioria das vezes, realmente quer estar ali. Quando os sorteios de vagas eram presenciais, víamos alunos chorando de alegria ao serem sorteados e outros chorando por não conseguirem uma vaga. Hoje, os sorteios são on-line, mas ainda recebemos muitas mensagens de pais felizes por terem conseguido uma vaga e de outros tristes por não terem conseguido.
A procura pelos colégios militares é muito grande, pois o projeto é um sucesso. Trabalhamos constantemente para avançar e melhorar nossos resultados. Atualmente, temos aproximadamente 75 mil alunos no estado.
Há projetos para implantar novas escolas militares em Goiás?
Não. No momento, não será possível abrir novas unidades, pois hoje trabalhamos com policiais reconvocados para a ativa. Existem municípios que não têm militares suficientes para assumir esses cargos nos colégios militares.
Além disso, antes de abrir uma nova escola, realizamos um estudo sobre a realidade do local. Só é possível implantar um colégio militar em cidades que já tenham uma escola regular e outra de tempo integral. Caso contrário, a implantação não é autorizada.
Outro fator é a disponibilidade de militares na região que sejam voluntários. Esses profissionais da reserva precisam se voluntariar para atuar nas escolas. Portanto, quando afirmo que não há previsão para novas unidades, isso não significa que o Comando de Ensino ou a Polícia Militar são contra a expansão. Apenas atendemos às demandas conforme chegam e avaliamos a viabilidade de implantação em cada localidade.
Os professores das escolas militares precisam de formação diferente para dar aula?
Toda a parte pedagógica é responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação (Seduc/GO), assim como ocorre nos colégios regulares e de tempo integral. Os professores, coordenadores e demais profissionais, sejam concursados ou contratados, são disponibilizados pela Seduc, incluindo os responsáveis pela alimentação escolar e outras áreas dentro da escola.
Já a Polícia Militar tem seu papel dentro das escolas. O comandante acumula as funções de comandante e diretor, conforme definido por portaria. Além disso, há militares lotados nas unidades, responsáveis pela disciplina dos alunos.
Todos os dias, realizamos um momento chamado “parada militar”, que chamamos de formação. Nesse momento, cantamos hinos, passamos avisos e, às vezes, realizamos palestras ou desfiles.
Leia a entrevista completa no Caderno de Educação desta semana.