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Ronaldo Caiado inicia pré-campanha à Presidência com apoio de ruralistas e discurso de união nacional

Governador de Goiás é recebido por lideranças do agro na Bahia e destaca protagonismo do setor, segurança no campo e defesa do direito à propriedade; especialistas analisam impacto político do gesto

Em movimento estratégico para consolidar sua imagem como nome viável à Presidência da República em 2026, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), iniciou nesta semana uma intensa agenda política pelo Nordeste. Em Salvador, o ex-senador e ex-líder da bancada ruralista foi recebido com entusiasmo por produtores rurais, empresários e dirigentes do Sistema Faeb/Senar, entidade que representa a agropecuária baiana.

O ponto alto da visita foi o encontro com João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e com Humberto Miranda, presidente do Sistema Faeb/Senar. Também presente ao ato, a primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado, natural de Feira de Santana, reforçou a conexão pessoal do casal com o estado.

“Escolhi a Bahia para lançar minha pré-candidatura e pedir as bênçãos ao Senhor do Bonfim. Tenho profunda afinidade com o povo nordestino e com o setor que alimenta o Brasil”, declarou Caiado, ao lado de lideranças rurais.


Caiado mira o agro como base estratégica nacional

Com forte discurso em defesa da propriedade privada, segurança no campo e valorização do produtor rural, Caiado utilizou a visita para reforçar bandeiras históricas de sua trajetória política. Ele lembrou sua própria origem como produtor rural e ex-aluno do Senar, e prometeu “andar pelos nove estados do Nordeste antes de partir para o Sul e Sudeste”.

“A agricultura brasileira é uma das poucas certezas que o país tem hoje. E ela precisa ser tratada com respeito, proteção jurídica e segurança”, afirmou o governador goiano, em clara alusão às tensões fundiárias que têm marcado os últimos anos.


Setor agropecuário reage com aplausos ao discurso de unidade

O presidente da CNA, João Martins, elogiou a postura de Caiado ao propor uma plataforma política de reconciliação nacional:

“Nunca vimos o Brasil tão dividido como agora. E é preciso uma liderança que pacifique o país. Não se trata apenas de crise econômica, mas de uma ruptura na coesão entre os brasileiros. Caiado chega com esse discurso de reconstrução”, avaliou Martins.

Humberto Miranda, por sua vez, destacou a contribuição concreta do setor agropecuário para a economia e a segurança alimentar:

“Nos anos 1990, a cesta básica consumia 90% de um salário mínimo. Hoje, graças ao agro, esse peso caiu para menos de 40%. É uma transformação silenciosa, mas essencial, liderada por quem está no campo”, afirmou Miranda, citando que o agro baiano representa quase 25% do PIB do estado, 30% dos empregos e mais da metade das exportações.


Especialistas apontam aceno político e estratégia regionalizada

A escolha da Bahia como ponto de partida da pré-campanha não foi aleatória. Para o cientista político Leonardo Barreto, consultor da FSB Inteligência, Caiado acerta ao iniciar pelo Nordeste:

“O Nordeste tem peso decisivo nas eleições nacionais. Começar pela Bahia, estado com o maior eleitorado da região, e dialogar com o agro é um gesto de alto simbolismo. Ele se apresenta como o candidato capaz de unir o agronegócio ao sentimento popular”, afirma.

Para a professora Camila Rocha, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a estratégia de Caiado é mirar um eleitorado conservador, mas desgarrado do bolsonarismo:

“Ele ocupa um espaço onde pode atrair eleitores de direita moderada, órfãos de um projeto claro após Bolsonaro. É ruralista, médico, do interior, e tem um discurso de ordem, mas sem o radicalismo que desgasta a imagem do bolsonarismo raiz”, analisa.


Cenário de 2026: o agro no centro do tabuleiro

A presença do agronegócio no debate eleitoral deve crescer nos próximos meses. Segundo dados da CNA, o setor representa mais de 27% do PIB nacional e foi responsável por 51% das exportações brasileiras em 2024. A escolha de Caiado de começar sua jornada ao Planalto no berço da agropecuária baiana antecipa essa disputa simbólica pelo voto do setor.

“O agro não quer apenas apoio — quer um presidente com DNA rural e sensibilidade para os desafios reais do campo. Caiado fala a língua de quem planta e colhe”, resume Marcos Figueiredo, analista político da Tendências Consultoria.


Próximos passos

Nos próximos dias, Caiado deve percorrer Pernambuco, Ceará, Piauí e Maranhão, além de realizar encontros com lideranças de associações, cooperativas e movimentos da juventude rural. Segundo aliados, a ideia é formar um palanque forte no Nordeste antes de avançar para o Sudeste, onde já articula com União Brasil, PSD e parte do MDB.

“O Brasil precisa de estabilidade, de segurança jurídica e de alguém que conheça a realidade do povo. Esse é o meu compromisso”, declarou.

Fernanda Cappellesso

Olá! Sou uma jornalista com 20 anos de experiência, apaixonada pelo poder transformador da comunicação. Atuando como publicitária e assessora de imprensa, tenho dedicado minha carreira a conectar histórias e pessoas, abordando temas que vão desde política e cultura até o fascinante mundo do turismo.

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