Política

Goiás é Estado bolsonarista: vitória de Lula Jogo jogado: resultado da eleição presidencial vai exigir diálogo e tolerância de domingo terá pouca influência em Goiás

O próprio governador já disse que tem “zero de preocupação” e que garantirá respeito ao Estado e aos interesses dos goianos, qualquer que seja o próximo chefe da Nação

Caiado divergiu e rompeu com Bolsonaro durante o enfrentamento à Covid-19, mas isso não impediu que o presidente autorizasse Goiás no RRF

Seja qual for o presidente a ser escolhido no próximo e iminente domingo, 30 de outubro, é fácil prever que não haverá implicações para Goiás, no sentido da ação administrativa a cargo do governador Ronaldo Caiado. O Estado é bolsonarista roxo, resultado provável da vocação para o agronegócio. No 1º turno, Jair Bolsonaro chegou perto de 2 milhões de votos, vencendo Lula por uma diferença próxima a 500 mil votos. Caiado teve 100 mil sufrágios a menos que Bolsonaro.

Quem anda pelas ruas das grandes cidades goianas, em especial na região metropolitana, não é capaz de notar nenhum vestígio da candidatura de Lula. Só se vê material de campanha de Bolsonaro. Carros adesivados com as cores verde e amarela, exibindo bandeiras do Brasil e alguns com banners ostentando o voto e o número do presidente.

No entanto, os números globais apurados pelos institutos de pesquisas, principalmente agora na reta final para a data das urnas, são desfavoráveis a Bolsonaro. Todos os institutos apontam vantagem para Lula, entre 3 e 8 pontos de frente.

Ora, dirão muitos bolsonaristas, as pesquisas erraram no 1º turno e, quem sabe, estão fora de rumo para o 2º turno. Talvez sim, talvez não, mas é consenso que os levantamentos de intenções de votos têm mais aderência à realidade em eleições que vão para mais uma etapa, como a atual.

Em caso de vitória de Lula, haveria prejuízos para Goiás, cujo governador sempre esteve na trincheira oposta ao ex-presidente e, reeleito em 1º turno, resolveu assumir de peito aberto o apoio à reeleição de Bolsonaro? A resposta é: não, não haverá nenhum problema, pois a história mostra que, de um modo geral, presidentes da República costumam manter relações republicanas com governadores eleitos por partidos de oposição. O próprio Lula é um exemplo.

No período em que ele foi presidente e depois sua sucessora Dilma Rousseff, Goiás e o governo celebraram parcerias importantes – como, por exemplo, o destravamento e a conclusão do novo aeroporto de Goiânia, hoje em pleno funcionamento.

Lula e Marconi, de partidos radicalmente antagônicos, o PT e o PSDB, mantiveram uma convivência pacífica quanto aos assuntos de interesse geral do Estado. Não houve o menor problema. Lula até elogiava Marconi e vice-versa. Em uma grande reunião em Brasília em que lançou o Bolsa Família, a ser pago às famílias de baixa renda através de um cartão de débito,  Lula assumiu que a ideia tinha surgido do programa Renda Cidadã, implantado em Goiás por Marconi, o primeiro do país a pagar benefícios mediante cartão de débito.

Esses precedentes têm um significado: ganhando Lula ou vencendo Bolsonaro, para Goiás a administração do Estado continuará a mesma, com parcerias e um relacionamento proativo com o governo federal, seja quem for o presidente – ainda que um política e ideologicamente totalmente oposto a Caiado. O governador, desde já, compartilha dessa visão e se diz tranquilo quanto a quem for o próximo presidente. E isso é o que recomenda o bom senso e a convivência civilizada entre os contrários.

 

 “Parceria entre o governo federal e o Estado se dá no campo administrativo e institucional”

 

 

O governador Ronaldo Caiado e o presidente Jair Bolsonaro, apesar de afastados em um determinado momento, têm episódios comuns em que ficou demonstrada a aliança natural entre as esferas administrativa estadual e federal.

Apesar da identidade ideológica, que não é total, já que Caiado se identifica como de direita democrática e Bolsonaro como de extrema-direita, eles divergiram e acabaram rompendo as relações por ocasião do enfrentamento à pandemia de Covid-19. Pararam até mesmo de conversar.

Mas essa quizília não implicou em nenhum dano para Goiás. Em tudo o que houve necessidade de entendimento entre a União e o governo estadual, a solução foi satisfatória. Basta ver o caso do Regime de Recuperação Fiscal, o RRF.

Caiado cumpriu todas as exigências para aderir ao programa, que é extremamente vantajoso para a estabilidade financeira da sua gestão. No final de tudo, a assinatura de Bolsonaro é que deveria selar o acordo. Houve um suspense de alguns dias, com políticos como o Major Vitor Hugo defendendo um exame aprofundado do RRF para Goiás antes de Bolsonaro assinar, o que, na prática, significaria enrolar a decisão final.

E o que houve? Bolsonaro não ouviu o seu aliado e não protelou a sua assinatura por um único dia. Chamou Caiado a Brasília e chancelou o RRF para o Estado sem pestanejar. Os dois, naquele momento, ainda estavam rompidos. Mas o comportamento de ambos foi de respeito à utilidade do programa como benefício de expressão para o governo e o povo goiano.

Assim, para o governador Ronaldo Caiado, não existe receio algum caso o ex-presidente Lula venha a ganhar a eleição do próximo domingo, conforme vêm apontando todas as pesquisas. “Zero de preocupação”, detalhou Caiado na semana passada, reafirmando que, qualquer que venha a ser o eleito para o Palácio do Planalto, Goiás só terá vantagens e nenhum prejuízo.

“A parceria vai se dar do ponto de vista administrativo. Independentemente de quem for eleito, o presidente da República terá de reconhecer Goiás como Estado e eu como governador”, repetiu o governador. Caiado lembra que “Goiás envia aos cofres públicos da União muito mais do que retornam para nós. Como tal, vou sempre fazer valer esse peso do Estado nas decisões políticas, até porque venho de 6 mandatos no Congresso, com ligações sólidas por lá.

Além de tudo isso, hoje temos um partido forte. Não se governa apenas com a Presidência”. Caiado, pelo que tem dito depois que foi reeleito no 1º turno, acredita também na sua afirmação como liderança de peso nacional, por um lado, e na presença de Goiás no cenário federal, por outro.

E mais ainda: relações entre instâncias de poder, conforme a crença do governador, são institucionais e não costumam nem devem ser politizadas, como deve ocorrer, na opinião de Caiado, tanto na hipótese de Lula quanto de Bolsonaro ganhar a eleição.

“Ganhar ou perder uma eleição não deve deixar sequela. Eu já ganhei e já perdi. Tem gente que bota a culpa de uma derrota nos outros. Eu sempre assumi minhas derrotas, nunca as repassei para a responsabilidade de outra pessoa”, concluiu o governador em entrevista à imprensa na semana passada.

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