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Dermatite atópica atinge a pele e a autoestima

Especialistas revelam dificuldade no diagnóstico e pouco conhecimento da população sobre a doença

Em meio ao silêncio das salas de espera de clínicas dermatológicas, muitos enfrentam uma realidade dolorosa, pouco compreendida e frequentemente desvalorizada: a Dermatite Atópica (DA). Uma enfermidade cujas marcas vão muito além da pele.

Com lesões secas, descamativas e avermelhadas, a DA é uma doença visível, mas suas ramificações internas são profundas. “Muitos a veem apenas como uma condição da pele, mas na realidade, seus impactos psicológicos e sociais são tão significativos quanto os físicos”, explica o  Dr.  Luciano Costa, dermatologista especializado.

Este é o caso de Mariana Simões. Ela  sempre foi uma jovem vibrante e extrovertida, com uma paixão pela vida que inspirava a todos ao seu redor. No entanto, no início de seus 20 anos, ela começou a perceber mudanças em sua pele. Pequenas lesões avermelhadas e secas começaram a surgir, inicialmente nas dobras dos braços e atrás dos joelhos. A coceira era incessante e, por vezes, insuportável. No começo, Mariana tentou disfarçar as manchas com roupas e maquiagem, mas com o tempo, as lesões se tornaram mais evidentes e começaram a afetar sua autoestima.

A confusão e frustração de Mariana só cresceram quando ela buscou ajuda médica. Durante meses, ela foi diagnosticada com diversas condições de pele diferentes, até que finalmente um dermatologista reconheceu os sintomas da Dermatite Atópica (DA). O diagnóstico trouxe alívio, mas também o desafio de aprender a conviver com uma doença crônica. Enfrentando os olhares e comentários maldosos de desconhecidos, e até mesmo de amigos que acreditavam em mitos sobre a doença, Mariana decidiu se tornar uma defensora da conscientização sobre a doença.. Com o apoio de terapias e tratamentos adequados, ela não só aprendeu a gerenciar seus sintomas, mas também a educar outros sobre a realidade da Dermatite Atópica.

Falta informação para a sociedade

Uma pesquisa, realizada em 2021, apontou que três em cada dez brasileiros estão sob a falsa impressão de que a Dermatite Atópica (DA) – doença que se manifesta com pele seca, lesões avermelhadas e intensa coceira – é contagiosa. Este dado foi apresentado pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com o Instituto Datafolha e com o suporte institucional da biofarmacêutica AbbVie.

Hoje,  23 de setembro, é celebrado o Dia da Conscientização da Dermatite Atópica. Na data,  a SBD destacou uma série de equívocos em relação à doença: 47% da população relaciona DA a maus hábitos de higiene; 46% crê que pacientes com DA não devem interagir com crianças; 36% acreditam que indivíduos com sinais visíveis da doença não deveriam frequentar lugares públicos, como escolas ou trabalho; e para 33%, esses pacientes nem deveriam usar transporte público.

Heitor de Sá Gonçalves, presidente da SBD, alerta que o  estigma associado à dermatite atópica deve ser combatido. Apesar do desconforto físico, com o devido tratamento e apoio médico, esses pacientes merecem total respeito e empatia

A pesquisa também lançou luz sobre a falta de informação geral: apenas 37% da população reconhece a doença, e destes, muitos ainda têm um entendimento fragmentado. Apenas 4% daqueles que dizem conhecer a doença sabem que “dermatite atópica” e “eczema atópico” são a mesma coisa.

As descobertas são  ainda mais preocupantes. Enquanto 59% dos brasileiros já experimentaram pelo menos um sintoma da DA, apenas 1% foi de fato diagnosticado. Segundo Heitor de Sá Gonçalves,  isso reflete a relutância em buscar ajuda médica e também a dificuldade de diagnóstico por parte dos profissionais.

Os dados mostram que metade dos adultos com três ou mais sintomas de DA nunca procurou um médico. Dentre os que buscaram ajuda, muitos receberam diagnósticos inconsistentes ou simplesmente não foram diagnosticados. Mais alarmante é que, mesmo com sintomas intensos, muitos adultos e crianças saem de consultas médicas sem um diagnóstico claro.

Quando questionados sobre qual especialidade médica seria a mais indicada para tratar a DA, a maioria apontou a dermatologia. “Este reconhecimento reforça a necessidade de formação contínua em dermatologia para garantir o melhor cuidado possível para os pacientes”, concluiu o presidente da SBD.

Os impactos da doença vão muito além da pele

Além das lesões visíveis, a doen[ca carrega consigo uma série de complicações invisíveis. A constante comichão pode levar a noites mal dormidas, resultando em fadiga crônica. A esta somam-se infeções cutâneas recorrentes e um pesado impacto emocional. “Os pacientes frequentemente relatam sentimentos de impotência, frustração, baixa autoestima e até depressão”, diz o Dr. Silva.

Lucia, mãe de um adolescente com DA grave, compartilha: “Meu filho luta todos os dias. Ele não consegue dormir bem e sente vergonha de suas lesões. Como mãe, dói vê-lo sofrer tanto”.

A Dermatite Atópica e outras condições associadas

Além dos desafios diretos da dermatite, muitos pacientes enfrentam condições associadas, como asma e alergias alimentares. “O corpo está interligado. Uma doença pode afetar ou ser afetada por outra, complicando o diagnóstico e tratamento”, explica o Dr. Luciano Costa.

Além dos impactos físicos e emocionais, o especialista explica que a doença possui um custo financeiro significativo. Estima-se que os gastos com tratamentos possam chegar a 500  por mês, tornando-se uma carga pesada para muitas famílias.

Mais do que uma condição da pele, a DA é uma realidade multifacetada, necessitando de uma abordagem holística e compreensiva. Dr. Costa reitera a necessidade de maior sensibilização: “Precisamos tratar a Dermatite com a seriedade que ela merece, garantindo que os pacientes tenham acesso a tratamentos eficazes e apoio adequado”, explica.



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